LUTANDO PELA FAMÍLIA

 


 

Hoje em dia, percebemos facilmente a investida cultural na dissolução do núcleo familiar, e seu objetivo é gerar jovens desajustados e carentes, pois esses são facilmente manipulados. Assim, torna-se fácil doutrinar esses jovens para agregá-los à massa a qual eles manobram conforme o seu interesse.

Mas, por trás desse movimento social, existe um empenho espiritual. Acontece que Satanás, o adversário da nossa alma, tem todo o interesse em desfazer o núcleo familiar, já que este foi projetado por Deus.

Diante disso, fica claro que uma das primeiras guerras que a família enfrenta em nossos dias é quanto à sua unidade.

As famílias cristãs devem se conscientizar de que seus membros devem se proteger mutuamente. A família precisa ser forte e unida para vencer o mundo inicialmente, e também satanás, que está por trás de todo o empenho para destruí-la.

Logicamente, não podemos ignorar que existem muitos fatores que fazem com que os membros da família não estejam próximos uns dos outros. Contudo, essa distância deve ser apenas física, e não moral e espiritual.

Reconheço que, às vezes, é necessário manter certa distância de um parente, seja como medida preventiva (para que não sejam gerados conflitos), seja como medida curativa (para que as feridas possam sarar). Mas isso não implica que devemos estar desligados espiritual e emocionalmente.

Temos um exemplo muito forte disso na história de Abraão e seu sobrinho Ló.

Acontece que, devido a alguns conflitos que seus empregados estavam tendo, Abraão (que naquele tempo ainda era chamado de Abrão) achou melhor que eles se separassem. Isso para que não houvesse conflito entre eles (medida preventiva).

Disse Abrão a Ló: Não haja contenda entre mim e ti e entre os meus pastores e os teus pastores, porque somos parentes chegados. Acaso, não está diante de ti toda a terra? Peço-te que te apartes de mim; se fores para a esquerda, irei para a direita; se fores para a direita, irei para a esquerda. (Gênesis 13:8,9)

Abraão propusera que eles tomassem direções opostas e ainda cedeu a honra de que Ló escolhesse qual lado preferia.

Para evitar contendas, às vezes o único jeito é nos afastarmos, como fez o sábio Abraão.

Por outro lado, essa medida proposta revelou o coração de seu sobrinho que, egoisticamente, escolheu a campina do Jordão, que era como o Jardim do Éden.

Levantou Ló os olhos e viu toda a campina do Jordão, que era toda bem-regada (antes de haver o Senhor destruído Sodoma e Gomorra), como o jardim do Senhor, como a terra do Egito, como quem vai para Zoar. Então, Ló escolheu para si toda a campina do Jordão e partiu para o Oriente; separaram-se um do outro. (Gênesis 13:10,11)

Estou entrando no âmbito das conjecturas, mas acredito que Abraão tenha ficado um tanto desapontado com a ingratidão de Ló; pelo menos eu teria ficado.

Acontece que, quando saiu da Cidade de Ur, na Caldeia, Abraão levou consigo seu sobrinho, que ficou rico sob os seus auspícios. Então, como sinal de gratidão por todo o benefício que essa parceria havia lhe proporcionado, nada mais justo do que Ló devolver a honra da escolha para seu tio, deixando que ele optasse por qual lado tomaria.

Por isso, a distância física entre eles, acredito eu, também serviu como uma medida para curar as feridas. É bem certo que existem feridas que apenas a distância pode sarar.

Contudo, isso não quer dizer que Abraão tenha se esquecido de seu sobrinho. Eles poderiam estar longe fisicamente, mas não afetivamente.

Quando Abraão soube que Ló fora capturado, ele juntou um pequeno grupo de guerreiros e foi libertá-lo.

Ouvindo Abrão que o seu sobrinho estava preso, fez sair os seus trezentos e dezoito treinados, nascidos em sua casa, e os perseguiu até Dã. (Gênesis 14:14)

Você teria tomado a mesma decisão? Será que a atitude egoísta de Ló não deveria gerar uma separação emocional também?

Abraão tinha todos os motivos para deixar Ló se virar sozinho. Afinal, ele escolheu as melhores campinas, deixando seu tio com o deserto. Mas acontece que Abraão tinha um forte sentimento de família. Um sentimento tão forte que, mesmo contrariando a ordem de Deus de deixar a sua parentela, Abraão levou o seu sobrinho.

Ora, disse o Senhor a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei (Gênesis 12:1).

Assim partiu Abrão como o Senhor lhe tinha dito, e foi Ló com ele; e era Abrão da idade de setenta e cinco anos quando saiu de Harã. (Gênesis 12:4).

Não quero, com isso, ratificar a atitude de Abraão, pois qualquer ato de desobediência ao Senhor é condenável. Mas cito isso aqui para exemplificar o quanto ele era apegado à sua família.

Existem batalhas que decidem destinos familiares. Mas também existem muitas atitudes que decidem esses destinos. Abraão, mesmo estando longe de seu sobrinho e, talvez, até decepcionado, decidiu lutar pelo seu parente.

Infelizmente, a realidade é que muitas pessoas caem enquanto seus parentes (muitos deles cristãos) permanecem imóveis.

Ora, se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do que o descrente. (1ª Timóteo 5:8).

Mas aquele que tem um sentimento de família forte e arraigado, que exerce o amor verdadeiro, não consegue assistir passivamente à destruição dos membros de sua família. Quem ama de verdade não abandona sua família em cativeiro.

Mas será que estamos dispostos a sair da comodidade para resgatar os nossos?

 

A REALIDADE DO CATIVEIRO ESPIRITUAL

E tomaram a Ló, filho do irmão de Abrão, que habitava em Sodoma, e a sua fazenda, e partiram. (Gênesis 14:12).

Muitos familiares estão presos sem perceber o próprio cativeiro. Isto é, muitas vezes, por ceder à pressão social, as famílias se tornam vítimas dos movimentos antifamília. Sem perceber, por causa da mídia, vão abandonando os valores cristãos lentamente. Sem perceber, as famílias estão no cativeiro social, sem perspectiva de libertação.

Para resolver esse problema, uma das primeiras medidas que devemos tomar é reconhecer em que terreno estamos. Com isso, quero dizer que, para encontrar a liberdade do cativeiro para a nossa família, devemos discernir quais influências estão afastando nossos familiares de Deus.

Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar. (1ª Pedro 5:8).

Sorrateiramente, as famílias estão sendo dissolvidas por influências que, no olhar carnal, não passam de movimento cultural, mas que, em última instância, são artimanhas de satanás para destruir o que Deus criou.

 

Você consegue perceber os cativeiros que estão destruindo a sua família? Ou você tem ignorado sinais claros do cativeiro espiritual da sua família?

Hoje, estamos sendo chamados por Deus para lutar pela nossa família, como Abraão lutou para libertar o seu sobrinho.

Nós, pais cristãos, temos a responsabilidade de manter a família coesa e protegida das influências que querem destruí-la. Para isso, devemos, em muitos casos, exercer a nossa autoridade de pais. Em outros casos, devemos afrouxar um pouco a rigidez para que nossos parentes não sucumbam. Mas, em todos os casos, devemos manter uma linha de comunicação aberta e exercer o amor incondicional. Mesmo quando temos que repreender, devemos fazê-lo sob a chancela do amor.

Contudo, alguns que leem estas linhas são apenas pequenos membros da família, como irmãos, primos e sobrinhos e, por causa disso, não têm autoridade para agir em muitos casos. Mas existem três meios pelos quais se pode agir: o primeiro é por meio do exemplo pessoal; o segundo é a comunicação; e o terceiro, com certeza o mais importante, é a oração.

Mas, antes de tudo, devemos orar e vigiar para podermos ter discernimento a fim de reconhecer os males que querem assolar a nossa família. E isso requer muita coragem, coração e ação.

 

A ATITUDE DE QUEM DECIDE LUTAR

Como disse antes, muitos sabem dos problemas da família, mas permanecem inertes. Às vezes falta coragem; outras vezes, interesse; e, às vezes, as feridas e decepções também são um empecilho. Mas não podemos esquecer que a fé verdadeira sempre se manifesta por meio de atitudes corajosas.

Decida hoje não ser um espectador do cativeiro da sua família. A luta em favor da nossa família só termina quando o resgate for completo, por ocasião da segunda vinda de Cristo.

O RESGATE QUE VALE TODO ESFORÇO

Devido à pressão da sociedade, à falta de cooperação dos próprios parentes e às lutas pessoais, muitos desistem antes de a restauração familiar completa acontecer. Esse é um erro fatal.

Abraão não desistiu, mesmo sendo um homem pacífico e nunca tendo se envolvido em batalhas. Inclusive, esta foi a única batalha em que ele se envolveu. Ele também não desistiu, mesmo tendo poucos homens. O amor ao seu sobrinho falava mais alto do que qualquer impedimento.

Que nada seja impedimento para permanecermos lutando pelas nossas famílias. Que nós só nos contentemos quando comprovarmos a libertação total da nossa família.

E tornou a trazer toda a fazenda; e tornou a trazer também a Ló, seu sobrinho, e os bens dele, e também as mulheres e o povo. (Gênesis 14:16).

Você está disposto a perseverar até o fim dessa batalha?

O que está em jogo não é apenas o bem-estar físico e estrutural da sua família. O que está em jogo é algo muito mais importante: a salvação eterna de seus entes queridos. Por causa disso, não cesse de agir, não pare de orar; continue lutando até ver sua família bem.

O amor verdadeiro nos impulsiona a lutar até que a nossa família esteja livre. Quem ama não descansa enquanto alguém ainda permanece cativo.

Enquanto houver alguém em cativeiro, ainda há uma batalha a ser travada e Deus honra aqueles que lutam pela restauração familiar.


Ricardo Castro
Pastor, Escritor, Músico e Doutor em Teologia


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