A VERGONHA DO LEÃO DE JUDÁ – Carta de repúdio aos “pastores e pregadores profissionais"


 

Está escrito que nos últimos dias por se multiplicar a iniquidade o amor de muitos esfriará (Mateus 24.12).
Antes de tudo temos que entender que a palavra iniquidade que aparece neste texto  tem sua raiz em uma palavra grega que quer dizer “quebrar a lei”. Isso nos mostra que o que Jesus estava dizendo na verdade era que por se multiplicar o pedado dos cristãos o amor de muitos irá esfriar.
Estamos justamente vivendo nestes dias. Dias de igrejas lotadas, mas de um evangelho sem profundidade. A grande verdade é que o evangelho da cruz, isto é, o verdadeiro evangelho está cada vez mais escasso. As pessoas hoje estão havidas por igrejas e mensagens que lhes iludam com a utopia de uma vida financeira sem restrições e de um evangelho de facilidades. O que mais ouvimos nos púlpitos são mensagens de autoajuda que massageiam os egos e enchem os bolsos. A grande quantidade de “pregadores profissionais” dos nossos dias ratifica o que eu estou dizendo. Esses “pregadores” cobram somas exorbitantes para pregar o evangelho que receberam de graça. Há muitos dentre eles que só pisam nos púlpitos depois que os valores caem em suas contas.
O mais interessante nesta história toda é que esses “pregadores” revestem-se de uma autoridade que o seu viver diário não os pode dar. Usam a máscara de “homens santos”, gritam, gesticulam, explodem nos púlpitos, mas quando saem da plataforma são na verdade lobos que devoram as pobres ovelhas que correm para lhes pedir autografo. Muitos deles, depois do show dos púlpitos vão para os restaurantes mais finos e caros para gastarem os parcos recursos que as ovelhas depositaram em suas contas, e então os “homens santos” enchem suas vidas santas de bebidas alcoólicas com a premissa de que são escusáveis em face do seu largo conhecimento teológico.
E existem outros desses “pregadores” que depois dos shows pirotécnicos dos púlpitos vão dar shows de outros tipos em motéis.
As mensagens desses “pregadores avivalistas” são revestidas de técnicas para emocionar as plateias e leva-las a histeria, afirmando que essas mensagens são oriundas de uma vida de intimidade com Deus. Quando na verdade não passam de técnicas de manipulação para encherem seus egos já inflados e engordarem suas contas bancárias.
O que mais nos choca é o culto à personalidade que hoje graceja em nossa geração. Esses “homens santos” são reverenciados como grandes vultos e são colocados em pedestais elevados por aqueles que financiam seus ministérios. E qualquer um que têm a coragem de denunciar suas práticas pecaminosas são considerados como críticos, céticos, anti-pentecostais e, sobretudo são amaldiçoados com toda sorte de impropérios que a mente humana pode articular.
Os cristãos crédulos e incautos são levados como ovelhas para o matadouro financeiro dos “pregadores avivalistas” que não estão nem um pouco interessados com os cuambus e as feridas que as machucam. Mas mesmo assim esses “pregadores profissionais” são idolatrados e considerados como infalíveis.
Esses “pregadores avivalistas” sujam o nome dos verdadeiros homens de Deus que lutam dia a dia em suas congregações para apascentar as ovelhas que lhes foram confiadas pelo Supremo Pastor. Muitos deles passando duras provações para sobrevier com as côngruas magras que lhes é reservada, isso quando é permitido algum ganho financeiro, pois muitos deles têm que tirar seu sustento do trabalho secular, ou dependem da misericórdia de terceiros. Quando na verdade o ministério que defendem deveria honra-los com uma duplicada honra e o dignificarem com o sustento diário (1° Timóteo 5.17,18).
O resultado disso tudo é que a igreja está se tornando superficial e licenciosa ao ponto de acreditar em qualquer coisa que é pregada, desde que se revista de uma roupagem “pentecostal”. O evangelho que antes era um brado vigoroso contra o pecado e a favor do Reino de Deus tornou-se um balbuciar patético. E em nome de um pentecostalismo espúrio às Escrituras, os crentes deslumbrados têm sido levados a crer em fábulas e lendas ensinadas de maneira efusiva e com o intuito de manter o rebanho iludido e seguro no aprisco dos lobos.
Isso tudo nos leva a crer que o Leão de Judá está extremamente envergonhado com essa geração, pois é uma geração que presa muito mais a personalidade do que o caráter. É uma geração que prefere a palavra dos “pregadores profissionais” do que os sermões cotidianos dos verdadeiros pregadores da verdade que tem pagado o preço por seus ministérios. É vergonhoso ver que hoje os “homens santos” não podem mais falar como Pedro, que disse: “Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho isso te dou” (Atos 3.6), pois os bolsos estão cheios e o coração vazio da presença Cristo entronizado como Senhor.
Contudo, no texto que citamos no princípio diz que “o amor de muitos esfriará”, mas não o amor de todos. Ainda existe um remanescente fiel que permanece com o coração ardendo pelo Senhor e por Seu Reino. Que sejamos encontrados entre esses fiéis tem o coração ardendo pela obra do Senhor.
Muitos outros escândalos virão ainda em nossa geração, mas que essas mazelas evangélicas não nos contaminem para que não sejamos como aqueles que são manipulados ao bel prazer dos “ministros da injustiça”.
Precisamos ter a mesma coragem que teve Martinho Lutero, que pregou nas portas d e sua igreja as 95 teses contra os abusos religiosos de sua época. Que nos levantemos como vozes apologéticas contra o abuso espiritual e financeiro que tem assolado a igreja cristã hodierna e que sejamos profetas como João Batista que pregou a verdade mesmo em face de sua morte.
Fica aqui o meu repúdio aos “pregadores e pastores profissionais” que tem usado o evangelho como meio de ganho pecuniário em detrimento dos verdadeiros homens de Deus que tem sido regelado à classe os desprezados e mal compreendidos. Que despertemos do sono da indolência e procuremos encher nossas lamparinas do azeite santo para que quando o Noivo chegar estejamos vigilantes e preparados. Que saiamos do cárcere imposto por aqueles que deveriam ser os instrumentos para nos libertar.
Por Pastor Ricardo Castro
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