A ARMADILHA DOS JOGOS DE AZAR
Quem ama o dinheiro jamais dele se farta; e quem ama a abundância nunca se farta da renda; também isto é vaidade. (Eclesiastes 5:10)
Ultimamente
temos visto diversas notícias a respeito de um aplicativo de jogos para celular,
chamado de Lucky Tiger, ou jogo do tigrinho. E essas notícias falam de pessoas
que perdem uma abundância de dinheiro, e de pessoas que, mesmo tendo perdido
tudo, não conseguem parar de jogar. Falam também de famílias que têm se
deteriorado porque um de seus membros enveredou pelo caminho do vício em jogos.
Algumas
pessoas ficam chocadas com essas notícias, pois não tinham noção da ação
nefasta dos jogos nas vidas de indivíduos que se tornam seus escravos. Mas o
choque acontece porque, tempos atrás, não se ouvia falar no vício em jogos com
tanta frequência, mas ele sempre esteve presente entre nós. No passado houve
pessoas que apostaram as economias de uma vida inteira em jogos como o jogo do
bicho, loteria esportiva e suas ramificações, carteado, bingo, etc. Mas, as
raízes dos jogos de azar são muito mais antigas do que pensamos, e está
arraigada não apenas no solo brasileiro, mas também em diversas culturas ao
redor do mundo e de civilizações antigas como a China, Egito e Roma. Esses
jogos foram evoluindo para incluir diversas formas de apostas, desde as
tradicionais até as modernas plataformas online, pois a tentação de ganhar
dinheiro facilmente atrai muitas pessoas.
Porém,
mediante a popularidade desses tipos de jogos, qual deve ser a postura dos
cristãos? O que a Bíblia tem a dizer a este respeito? Nas linhas abaixo, me
proponho a examinar os jogos de azar à luz da Bíblia e da ética cristã,
oferecendo uma perspectiva clara sobre como os cristãos devem abordar essa
questão tão atual e urgente.
Contudo,
antes de entrarmos no cerne da questão, devemos ter claro na mente o que são os
jogos de azar e quais jogos se enquadram nessa categoria.
Jogos
de azar são aqueles nos quais o resultado depende predominantemente do acaso e
onde as pessoas apostam algo de valor na esperança de ganhar algum tipo de
recompensa. Nessa categoria estão incluídos os jogos de cassino, máquinas
caça-níqueis, carteado, loterias e apostas esportivas, dentre outros.
Entretanto, o apego das pessoas por esse tipo de jogo não está propriamente no
ganho que supostamente podem ter, mas está principalmente na emoção da
incerteza, na adrenalina que o improvável pode lhes proporcionar.
Os
jogos de azar são uma indústria multibilionária em todo o mundo, com milhões de
pessoas participando regularmente. Esses indivíduos e muitas pessoas ligadas a
eles veem os jogos de azar como ferramentas inocentes de entretenimento e a
promessa de suposta riqueza sem esforço como fonte de alegria e esperança. Mas,
na realidade, esses jogos têm um impacto negativo muito grande. O vício, os
problemas financeiros e a desintegração familiar não têm como comparar com a
felicidade efêmera que os jogos proporcionam.
Voltando
ao escopo deste texto, agora que sabemos o que são os jogos de azar, devo dizer
que a Bíblia não faz menção direta a eles, porém fornece princípios que nos
ajudam a avaliar essa prática.
Um dos primeiros princípios que
podem nos nortear é a mordomia dos recursos. Ou seja, o modo certo de
empregarmos o nosso dinheiro. A Bíblia nos orienta a gastar nosso dinheiro em
coisas realmente necessárias (Isaías 55.2,3). E, tendo em vista que esses tipos
de jogos é entretenimento puro e simples, e que geralmente usurpam todo o
dinheiro do indivíduo, já podemos ter um vislumbre de qual é o conceito de Deus
sobre esses jogos. De outra forma, a Bíblia nos diz que tudo o que temos nos
foi dado pelo Senhor e, por isso, devemos ser bons administradores. Dessa
forma, aplicar nosso dinheiro em jogos de azar é simplesmente jogar dinheiro
fora, um dinheiro que poderia ter sido investido em itens de consumo
essenciais, conforto e/ou bens para nossos familiares.
Além
disso, a Bíblia nos diz que o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males (1
Timóteo 6:10), e os jogos de azar atraem as pessoas também pela proposta de enriquecimento
rápido, alimentando o amor ao dinheiro e, consequentemente, à avareza, que
conduz à morte espiritual.
Outra
coisa que temos que ter em mente é que os jogos de azar se valem da
vulnerabilidade das pessoas para aprisioná-las em suas garras. Além do que,
devido ao vício em jogos, as pessoas são levadas a comportamentos desonestos e
chegam, inclusive, ao furto ou roubo. Mas nós, cristãos, fomos chamados a
vivermos de forma justa e honesta (Provérbios 11:1).
Acima
de tudo isso, a chancela do verdadeiro cristianismo é amar o próximo como a nós
mesmos. Mas, quando as pessoas se entregam aos jogos, tornam-se extremamente
egoístas, pensando apenas em satisfação imediata, sem qualquer sentimento
altruísta, mesmo para com seus familiares. E isso é impensável para alguém que
toma, sobre si, o nome de cristão.
Ademais,
os jogos de azar trazem consequências pesadíssimas não apenas para quem joga,
mas também para seus entes queridos. E essa é outra das causas para que os
cristãos se mantenham distantes deles.
A
Bíblia também diz que Deus ordenou ao homem ganhar o seu sustento pelo suor do
seu rosto (Gênesis 3:19), e já que os jogos prometem um enriquecimento sem
qualquer esforço, logo, está afrontando diretamente uma ordem divina.
Mas
ainda existe um problema mais amplo. É que os jogos de azar contribuem para a
pobreza, criminalidade e outros problemas sociais, implementando o declínio das
comunidades onde existem mais jogadores.
No
Brasil, os cassinos foram proibidos desde 1946 pelo então presidente da República
Eurico Gaspar Dutra. Mas, nos últimos anos, os cassinos encontraram outro meio
de florescer. Com o avanço da tecnologia, os cassinos virtuais se tornaram
extremamente populares, oferecendo jogos de azar diretamente na palma da mão
dos usuários. Esses cassinos, que são acessados 24 horas por dia e 7 dias por
semana, têm um poder viciante ainda maior, já que o usuário não tem mais que
sair de casa e pode jogar no mais absoluto sigilo. E a natureza isolada do jogo
online pode levar à falta de controle e supervisão, resultando em perdas
financeiras e danos emocionais devastadores, levando muitas famílias ao
colapso.
Diante
do exposto, não podemos nos furtar de fazer um mea culpa, já que a igreja teria
um papel preponderante no que tange aos jogos de azar, se elas educassem seus
membros sobre a importância da mordomia financeira e falassem abertamente a
respeito do perigo dos jogos de azar. Mas, infelizmente, vemos até líderes
cristãos usando aplicativos de jogos, fazendo a sua “fezinha” secretamente.
Contudo,
esse texto serve como uma mola propulsora para uma meditação mais profunda do
assunto por parte dos líderes e uma alerta para os cristãos que estão sendo
encantados pelo canto da sereia das plataformas de jogos online.
A
igreja tem o dever de oferecer apoio irrestrito aos que lutam contra o vício em
jogos de azar, montando grupos de apoio, dando aconselhamento pastoral e outros
recursos de tratamento, além de apontar alternativas saudáveis e construtivas
de entretenimento, como atividades que promovam o bem-estar físico, mental e
espiritual, para que os que sofrem desse mal encontrem a cura e restauração.
Para
concluir, devo lembrar aos que me leem que nós, cristãos, somos chamados a
viver de forma responsável e a promover a justiça e a honestidade a todos. E
fazendo isso, estaremos sendo testemunhas poderosas ao mundo sobre os
verdadeiros valores do Reino de Deus.



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