QUANDO DEUS VAI ADIANTE, O FUTURO NÃO ASSUSTA

 



 Não sei se isso acontece com todos, mas às vezes me sinto incomodado quando as coisas mudam. Porém, isso não se constitui em um transtorno como ocorre com o personagem Sheldon Cooper (vivido por Jim Parsons) da série “Big Bang Theory”, o qual saiu correndo ao ver que sua amiga Penny cortou o cabelo. Mas saber que as coisas mudarão me deixa apreensivo. Porém, a verdade é que o futuro só nos assusta quanto esquecemos que Deus já está nele.

Talvez as pessoas não tenham a mesma experiência que a minha, mas tenho certeza de que o futuro, o qual é uma incógnita, traz alguma apreensão, expectativas e inquietações internas a todos. Isso porque a nossa vida é constituída de ciclos que fecham e iniciam de tempos em tempos. E, como não sabemos o que o futuro nos reserva, o que mais queremos é que Deus o revelasse para nós. Entretanto, nesses casos, geralmente Deus permanece calado. Se formos sinceros, reconheceremos que isso nos traz insegurança, pelo fato de temermos o desconhecido.

Diante disso, só nos resta a fé de que tudo dê certo. E assim, a nossa existência oscila entre a esperança projetada e a ansiedade antecipada e constante.

Entretanto, não precisamos nos desesperar, porque nada está perdido. Com Deus em nossas vidas, não temos o que temer.

Um ciclo se fecha e outro se inicia, e Deus permanece conosco em ambos. Contudo, Ele ajusta o nosso coração antes de nos conduzir para um novo ciclo com o objetivo de não cometermos os mesmos erros.

Foi assim com o povo de Israel. Eles haviam sido resgatados miraculosamente da condição de escravos no Egito, mas passaram quarenta anos vagando pelo deserto por causa da sua desobediência. Depois desse tempo, chegou a hora do novo ciclo se iniciar com a entrada na terra prometida. Eles estavam às portas de Canaã, às margens do rio Jordão, quando ouviram Moisés dizer:

O Senhor é quem vai adiante de ti; ele será contigo, não te deixará, nem te desamparará; não temas, nem te atemorizes. (Deuteronômio 31:8).

Moisés estava garantindo ao povo  que, independentemente do que acontecesse, Deus estaria com eles. Esta mesma promessa nos alcança hoje em dia. Diante do desconhecido, devemos ter a certeza de que o Senhor estará conosco.

Todavia, existem algumas posturas espirituais que temos que observar para que Deus reposicione a nossa alma diante do futuro.

 

A busca por Deus

A primeira dessas posturas é a busca por Deus. Isso porque, como disse antes, muitas vezes Ele se cala antes de nos introduzir em um novo ciclo. Mas Deus faz isso não para nos punir, mas para nos amadurecer.

Certa vez, perguntei para minha esposa e filhos o que eles entendiam do motivo de Deus às vezes se calar. E a diversidade das respostas me mostrou que realmente desconhecemos os seus motivos. Por isso, se temos fé, devemos somente crer e confiar.

Não podemos interpretar o silêncio de Deus como um abandono, já que Ele é um Pai amoroso.

Diante disso, surge a pergunta de como, quando estivermos nessa fase de silêncio, podemos permanecer crendo. A resposta é apenas uma: buscando ao Senhor.

Mas, se tu buscares a Deus e ao Todo-Poderoso pedires misericórdia, se fores puro e reto, certamente, agora, ele despertará por ti e restaurará a tua morada de justiça. (Jó 8:5–6).

A busca por Deus redefine nossa identidade e nos dá sentido, além de fortalecer a nossa fé.

Temos intrinsecamente a necessidade de encontrar pertencimento e sentido. E quando nos dedicamos a esta busca, relegamos o que é material e efêmero a segundo plano, entramos no reino do transcendente e experimentamos o Deus que é imanente. Nesse sentido, a busca por Deus serve como um eixo que estabiliza as emoções e fortalece a nossa fé. E isso acontece de forma que a fé se torna uma âncora que nos sustenta nas tempestades do presente e na instabilidade do futuro.

Dessa forma, devemos buscar a Deus mesmo quando as emoções contradizem a nossa fé. Isso acontece com mais frequência do que queremos reconhecer. Assim, ao buscarmos a Deus diante do desconhecido, o silêncio deixa de incomodar e gera a maturidade espiritual. E esse é o objetivo de Deus quando se cala.

Devido à minha experiência com o silêncio de Deus, aprendi que devo buscar o Senhor em vez de exigir respostas dele. Aprendi também que o silêncio de Deus não encerra os ciclos da minha vida, mas me prepara para novos começos.

 

Sua presença independe do nosso entendimento.

A segunda postura é a fé constante. A fé é o fator que nos sustenta quando a razão não alcança explicações. Às vezes amargamos duras experiências porque queremos explicações. Buscamos explicações do porquê das situações, do porquê do silêncio, do grau de nossa inadequação. Queremos entender as coisas para então obedecer a Deus. Mas, as décadas vivendo na presença de Deus me ensinou que às vezes o Senhor não exige que compreendamos tudo, mas sim, confiança madura. Ou seja, quando não entendemos, devemos somente confiar e exercer a fé. O próprio Senhor afirma:

Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor. Porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos. (Isaías 55:8–9)

Que confiemos em Deus, mesmo sem a clareza racional completa. Entreguemos ao Senhor as decisões não resolvidas interiormente. A ansiedade diminui quando a confiança toma o controle. Quem confia plenamente em Deus percebe que Ele está também no futuro.

 

Deus já está no que ainda viveremos.

Uma das coisas que mais acalmam a nossa alma diante do desconhecido é saber que Deus não reage ao futuro, porque já habita nele.

Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade: que eu sou Deus, e não há outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade. (Isaías 46:9,10)

Quando o nosso coração descansa na soberania de Deus, nasce uma fé firme e forte. O Senhor controla e governa tanto o tempo quanto a nossa história. Por causa disso, o medo perde toda a sua força. Diante do desconhecido, devemos ser guiados pela voz de Deus e não pelo medo.

Quando Deus vai adiante de nós, nos resta apenas crer e confiar com fé.

O calendário e as notícias tenebrosas não podem reger a nossa fé. O futuro pertence a Deus. E o nosso futuro se alinha quando a alma encontra o Eterno. E assim, não temos que temer. Quando Deus vai adiante, penetrando o que, para nós, é uma incógnita, o futuro não pode nos assustar. E isso não porque tenhamos condições de saber o que virá, mas porque sabemos que o Senhor já está lá.

Para concluir, digo a você que confie, prossiga, creia, porque o teu amanhã já está preparado por Deus. Que a voz de Deus te guie pelo desconhecido e que possamos tomar posse das palavras de Moisés, aplicando-as a nós:

O Senhor é quem vai adiante de MIM; ele será COMIGO, não ME deixará, nem ME desamparará; não DEVO TEMER, nem ME ATEMORIZAR. (Deuteronômio 31:8 – Paráfrase minha)


Ricardo Castro
Pastor, músico, escritor, doutor em teologia

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