A IDENTIDADE DA IGREJA: QUEM SOMOS EM MEIO AO SISTEMA?
Basta abrir qualquer rede social por alguns minutos para perceber como os algoritmos operam: eles mapeiam nossos rastros, decifram preferências e nos devolvem um espelhamento daquilo que supostamente desejamos consumir. Há uma conveniência nisso, claro. É prático receber sugestões que batem com nossos interesses. No entanto, o perigo mora no silêncio dessa engrenagem: acabamos reduzidos a dados estatísticos, definidos por escolhas triviais em vez da nossa essência. O pior é que essa lógica transbordou para as relações humanas. Passamos a rotular o outro com a mesma frieza de um código de programação. O mercado nos enxerga como consumidores; o Estado, como contribuintes; as plataformas digitais, como usuários. No fim das contas, todos parecem especialistas na arte de encaixotar pessoas. O filósofo Zygmunt Bauman descreveu muito bem esse cenário ao cunhar o termo “modernidade líquida”. Vivemos em um tempo onde tudo — das relações aos compromissos — é fluido, descartáve...


